Sobre a saúde em Taperuaba atualmente, no posto de saúde, na minha humilde opinião, é comparável às consultas em clínicas particulares de alto padrão.
Neste final de semana, dias 24 e 25 de 2026, estive visitando amigos e parentes em Taperuaba, e minha esposa teve problemas de saúde. Procuramos atendimento médico no posto e, para minha surpresa, desde a portaria até o atendimento médico, todos nos trataram com muita atenção e eficiência.
Como o problema era sério, precisamos de outro atendimento no dia seguinte, no domingo à noite. Então pensei comigo mesmo: será que o bom atendimento de ontem foi só coincidência e hoje vai ser tudo difícil, como na maioria dos outros lugares? Mas, ao chegar para a segunda consulta, no domingo à noite, fiquei impressionado ao encontrar uma farmacêutica, uma enfermeira e uma médica atendendo no distrito, a setenta quilômetros da sede de Sobral.
O que mais me chamou atenção foi o calor humano da médica, que mesmo sem conhecer a paciente, agiu como se estivesse em um consultório particular de alto padrão.
Isso é bem diferente de muitos anos atrás, quando o Programa Saúde da Família ainda era recente e Taperuaba teve dificuldade de aderir, chegando a se recusar a fazer visitas domiciliares. Na época, eu, enlouquecido de amor pela minha mãe, procurei ajuda na Ouvidoria Geral da Saúde do Estado, em Fortaleza, para não correr o risco de, ao pedir ajuda em Sobral, sofrer interferência política. Acionei também a TV Verdes Mares e o Ministério Público.
Depois de tudo isso, o ouvidor — segundo ele — foi pessoalmente a Taperuaba e, ao verificar que outras famílias também não estavam recebendo atendimento domiciliar, me deu os parabéns e disse mais ou menos assim: “Você, por querer ajudar sua mãe, acabou ajudando toda a população”.
Para quem não me conhece, dos 9 aos 12 anos de idade broquei, arranquei toco com chibanca, fiz roçado, armei quixó, cacei com espingarda e pesquei no açude para ajudar a alimentar 11 pessoas da minha família. Dos 12 aos 14 anos, aprendi a trabalhar como pedreiro em Taperuaba, com o objetivo de fugir da roça.
Aos 14 anos, com muito choro, convenci convencer minha mãe de que eu precisava vir para Fortaleza. Chegando aqui, comecei um novo desafio: acordar às 4 horas da madrugada para esperar uma caçamba que transportava operários para a construção de um conjunto habitacional no bairro Mondubim. Eu morava de favor no Antônio Bezerra.
Minha pobreza, tanto material quanto intelectual, era tão grande que, mesmo sendo pedreiro, eu ainda não possuía nem a primeira toalha de banho, nem o primeiro par de sapatos. Além disso, eu era discriminado pelos conterrâneos por ser muito natural e matuto, a ponto de não quererem andar comigo nas ruas, pois tudo que eu via, admirava, apontava com o dedo e fazia comentários, como as crianças fazem.
Aos 16 anos, passei a trabalhar como pintor de residências. Me destaquei como um dos melhores no Antônio Bezerra e passei a ganhar mais dinheiro, mas logo tive um grande desejo de aprender a dirigir caminhão. Tudo o que eu ganhava gastava aprendendo a dirigir, pois naquele tempo tanto se podia aprender sem autoescola quanto viajar em carrocerias.
Somente depois que consegui tirar a habilitação profissional foi que comprei o primeiro sapato e a primeira toalha de banho.
Aos 30 anos, comecei outro desafio: técnico em serigrafia e técnico em comunicação visual. Atualmente, presto consultoria sobre o RNTRC da ANTT para caminhoneiros.
Meu nome comercial já foi: Gene Criações, Netoplacas, e atualmente Neto da BR-020.