Veja como a Palavra de Deus se cumpre todos os dias e nunca envelhece. A Bíblia diz que o rico adquire muitos amigos, mas o pobre é desprezado até pelo próprio irmão.

Isso aconteceu comigo. Eu era rico — não de dinheiro, mas de conhecimento na área da comunicação visual — e também desenvolvia ideias para diversos setores, como, por exemplo, placas leves, resistentes à maresia, à ferrugem e à umidade, diminuindo custos e mantendo a aparência de metais de acordo com o ambiente. Desenvolvi trabalhos para a Secretaria de Segurança, Ouvidoria do Estado, Corregedoria e dezenas de construtoras de alto padrão na construção de edifícios.

Mas foi no IJF que tive a oportunidade de desenvolver todo o meu talento criativo e conquistar a confiança de todas as chefias, desde a zeladoria até a superintendência, incluindo a superintendência, a diretoria administrativa e financeira, a diretoria médica, o centro cirúrgico, a emergência, a unidade de queimados e a UTI. Em todos esses setores, eu tinha entrada livre, de dia ou de noite, por conta dos trabalhos que executava. Acabei ficando conhecido por aqueles que poderiam me barrar.

Pensando nos Provérbios de Salomão, fiz todo o bem que me era possível em favor dos aflitos e oprimidos. Além das caridades que pratiquei — e que considero que a recompensa vem de Deus — fiz também considerações e sacrifícios em favor de dezenas de médicos. Enquanto eu estava na ativa, como alguém que desenvolvia serviços interessantes, mantive um relacionamento quase familiar com muitos deles e tive muitos privilégios. Agradeço a Deus por isso.

Hoje, 15 anos depois de deixar a profissão para dar consultas a caminhoneiros sobre o RNTRC da ANTT, já fui esquecido por todos, cumprindo-se o que falei lá no início. Eu, que conseguia tirar pessoas conhecidas do corredor da emergência do IJF para internação e da ressuscitação para a UTI, hoje vivo esta realidade: só consigo uma simples consulta com o clínico do posto de saúde para 45 dias depois.

Ao tentar uma explicação com o secretário de saúde do meu município, fui silenciado ou ignorado. Não me deram resposta. Veja a seguir.

Senhor Secretário da Saúde de Caucaia, bom dia.

Peço alguns minutos de sua atenção. Sou conhecido como Neto da BR-020, mas meu nome legítimo é Antônio Teixeira Melo. Moro na Avenida Contorno Oeste, no Conjunto Metrópole, há 35 anos. Somente agora, no final de 2025, tive necessidade de procurar atendimento pelo posto de saúde.

Hoje, com 62 anos, estou precisando de atendimento com cirurgião vascular. Procurei o Posto Rocilda, o mais próximo da minha residência, e foi marcada a primeira consulta com o clínico do posto para 45 dias depois, no dia 16/02/2026.

Nesta segunda-feira estive solicitando à gerente do posto a possibilidade de diminuir esse tempo de espera, pois essa consulta será apenas para encaminhamento. Pelo que sei, as grandes filas costumam ocorrer apenas para consultas especializadas e procedimentos cirúrgicos. No entanto, fui informado de que esse procedimento é normal e que nada poderia ser feito de imediato.

Fui até a Secretaria para procurar o senhor, mas fui informado de que não se encontrava no local. Perguntei quem poderia me ouvir, e uma pessoa, de forma atenciosa, pediu que eu entrasse, anotou meus dados e, mais tarde, enviou uma mensagem pedindo que eu retornasse ao posto e procurasse novamente a gerente.

Assim o fiz. Fui recebido com respeito e educação, porém não houve flexibilização, nem mesmo para informar alguém de patente superior sobre minha insatisfação. Isso me faz pensar que a ordem venha de instâncias superiores, algo em que não quero acreditar, pois tenho muito apreço pelo prefeito, que sempre me trata muito bem quando consigo falar com ele, e minha impressão a seu respeito é muito positiva.

Não quero que minha mente se contamine com pensamentos negativos. Por isso, peço que o senhor me informe se é normal esperar 45 dias para ser atendido por um médico do posto, onde já sou cadastrado. Caso seja, minha angústia será ainda maior, pois não consigo compreender como um idoso, cansado, precisa esperar todo esse tempo apenas para ser encaminhado a outro médico, sabendo que a espera será ainda maior.

Não entra na minha compreensão que um atendimento clínico primário, que é o básico para a população mais carente, seja tão difícil nos dias de hoje.

Desde já, peço uma resposta e, ao mesmo tempo, peço perdão se estiver incomodando.

Atenciosamente,

Antônio Teixeira Melo

www.netodabr020.com.br