PARA OUVIR CLIQUE AQUI
Ao Dr. Egberto e família,
Que a paz, a saúde e a prosperidade estejam e permaneçam com você e sua família.
Somente em 2026, hoje com 62 anos de idade, consigo escrever para agradecer às pessoas que fizeram o bem para mim ou para outras pessoas. De qualquer forma, eu fui testemunha e quero relatar e agradecer também.
Vou começar pelo saudoso Moisés Teixeira, seu pai. Quando eu era criança, eu e minha família morávamos em um sertão deserto nas proximidades de Taperuaba, Sobral, Ceará. Naquele tempo não era como hoje, não havia comunicação. Seu pai, que sempre foi um homem cheio de amizade e boas influências, tomou conhecimento de que um homem de má-fé estava se aproveitando da ignorância e da fraqueza da minha família e já estava quase se apossando da nossa própria moradia para praticar atos maliciosos. O senhor, seu pai, o saudoso Moisés Teixeira, tomou as providências e nos livrou do mal.
O segundo testemunho e agradecimento é que você me deu uma carta de recomendação falando muito bem de mim. Isso é um ato de grande consideração, pois se eu tivesse me perdido e procurado caminhos tortuosos, certamente sobraria também para quem deu a carta.
O terceiro testemunho e agradecimento é sobre seu pai novamente. Depois de alguns anos, quando eu estava em Fortaleza, resolvi passar uma temporada no Rio de Janeiro. Certo dia recebi uma notícia triste: meu pai tinha entrado em um ambiente cheio de plantas que, quando quebradas, soltam muito líquido, e ele foi atingido fortemente nos olhos. Para o meu desespero, naquele tempo só havia um posto telefônico em Taperuaba, onde ocorreu o fato. A gente ligava e ficava aguardando até que o posto conseguisse se comunicar com a pessoa com quem queríamos falar.
Soube da notícia de madrugada por um garçom que estava chegando do trabalho e estava hospedado na mesma casa que eu estava, do meu irmão Mesquita. Antes de clarear o dia comecei a pegar ônibus para avisar meus outros irmãos, João e Joel. Fui também ao restaurante de um italiano em Ipanema, onde eu estava prestando pequenos serviços de serigrafia havia pouquíssimo tempo, e enfrentei o estrangeiro para me emprestar dinheiro, se fosse preciso. Contei a história, disse que era pobre e precisava socorrer meu pai. Recebi total apoio dos meus irmãos e também do italiano.
Em seguida fiz a ligação para Taperuaba e pedi para falar com o senhor Moisés Teixeira. Ele, que só me chamava de “Netinho”, perguntou o que tinha acontecido. Eu disse: “Meu pai está muito mal. Peço que o senhor vá lá em casa, leve meu pai para Sobral e gaste tudo que for preciso, pois já arranjei patrocinadores para ressarcir tudo que o senhor gastar.” Ele calmamente me disse que iria resolver o problema.
Mais tarde liguei de novo, e para minha surpresa — eu que achava que ia ficar todo endividado — ele respondeu calmamente, mais ou menos assim: “Netinho, seu pai está curado. Fiz apenas uma lavagem nos olhos dele e ele já voltou a enxergar.”
Agora eu, Neto, falando, digo o seguinte: sei exatamente o que ele fez, mas não estou falando por segurança da saúde e para não incentivar pessoas leigas a fazer com as próprias mãos aquilo que hoje não há mais necessidade, por conta da facilidade de atendimento médico. Mas o que seu pai fez naquele momento foi necessário, pois o atendimento mais próximo era a 70 km de distância e, graças a Deus, deu muito certo.
Talvez a sua sabedoria científica de hoje tenha sido também um pouco influenciada pela sabedoria popular do seu pai no passado, que em todos os sentidos sempre se saiu bem, até mesmo na criação dos filhos: você e sua irmã, Dra. Francisca Teixeira, a quem tenho como irmã.
O quarto testemunho e agradecimento trata-se da sua esposa, a quem eu sempre admirei por ser a mulher virtuosa que sempre foi para você.
Aconteceu o seguinte: em 2011, quando eu já estava cansado de atender a mais alta elite de Fortaleza, incluindo também Estado e município — pois você me conhece e sabe que sou um homem de pouco estudo, matuto declarado e sem intenção de mudar, pois amo as coisas inocentes e naturais — sempre mantendo respeito às pessoas e às diferenças de pensamento.
Por isso me interessei em trabalhar com uma lei federal exclusivamente para caminhoneiros, de igual para igual. Comecei em 2005, mas só me senti seguro para me dedicar totalmente em 2011. Foi então que, já tendo testado em vários lugares um ponto de atendimento, resolvi montar um quiosque na BR-020, km 11, em frente à PRF.
Pedi autorização à Cagece e também apoio da prefeitura, mas ainda faltava autorização do DNIT. Na frente do meu quiosque eu precisava fazer um nivelamento com cerca de 40 carradas de entulho adquirido pela prefeitura, mas eu tinha certeza de que a Polícia Rodoviária não ia permitir, pois eu ainda não conhecia ninguém.
Procurei então o Luizão, filho do seu Aquino, para me ajudar. Ele, muito meu amigo, disse: “Neto, a PRF não manda nessa área, mas vou te dar uma dica: a pessoa que manda na área é cunhado da esposa do Dr. Egberto.”
Imediatamente liguei para sua residência e falei com a dona Glauciete. Ela gentilmente disse que iria falar com o Dr. Josidan para resolver o assunto. Para minha alegria, no dia seguinte parou um carro na minha frente e perguntaram: “Quem é o Neto?” Eu respondi: “Sou eu.” Ele disse: “Sou o engenheiro Josidan. Vim aqui a pedido da Glauciete. O que você está precisando?”
Respondi: “Dr. Josidan, estou precisando aterrar essa frente que está toda esburacada para que os caminhoneiros possam chegar até mim.” Ele perguntou: “Você tem capacidade de fazer o aterro sem prejudicar a descida das águas da BR?” Eu respondi: “Sim, sou pedreiro desde os 12 anos de idade.”
Ele disse: “Anote meu telefone. Se alguém reclamar, mande ligar para mim.”
Dito e feito. Assim que terminei o aterro, consegui energia através do vereador Ricardo Cordeiro e apoio da Cagece, e comecei a atender os caminhoneiros.
Recebi um recado para comparecer ao posto da PRF. Disse: “Diga que vou vestir uma calça comprida e vou daqui a pouco.” Porém, o chefe da época — não vou citar o nome por questão de ética — parou a viatura na BR em frente ao meu ponto de atendimento e me chamou, dizendo: “Quem lhe autorizou essa energia clandestina?”
Respondi: “A energia não é clandestina. Tem um transformador exclusivamente para mim, a pedido da prefeitura, com apoio da Cagece.” Ele continuou alterado, até que eu disse: “Estou também com o apoio do Dr. Josidan.”
De repente tudo mudou. Ele disse que quem mandava mesmo era o Dr. Josidan e que, sendo assim, eu podia ficar.
Depois disso consegui o respeito de todos e algumas amizades, e ficamos bons vizinhos até hoje.
Em primeiro lugar agradeço a Deus, à dona Glauciete, ao Dr. Josidan e ao Luiz, filho de seu Aquino. E testemunho também e agradeço a você, Dr. Egberto, por ter acompanhado de perto o meu irmão Joel com doença degenerativa de Parkinson, sem cobrar nenhum centavo durante 11 anos.
Atenciosamente,
Antonio Teixeira Melo,
de alcunha Neto,
nascido em Taperuaba, Sobral – Ceará.
www.netodabr020.com.br